O By Liberdade é um dos mais recentes projetos da Contacto Atlântico em Lisboa e devolve ao uso pleno dois edifícios históricos contíguos na Rua das Pretas, a poucos passos da Avenida da Liberdade. O ateliê de arquitetura lisboeta liderou a reabilitação profunda dos números 33 a 37 e 41 a 47, unindo-os numa morada única, residencial e comercial, com novas habitações em cima e uma frente de loja contínua no piso térreo. A área total de construção atinge os 1.134,79 metros quadrados, numa área de implantação de 292,90 metros quadrados.
O que é o By Liberdade e onde fica?
O By Liberdade é um empreendimento residencial e comercial localizado na Rua das Pretas, uma rua transversal que abre diretamente para a Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa. O projeto é assinado pela Contacto Atlântico, ateliê de arquitetura de Lisboa liderado pelo fundador André Caiado, e une dois edifícios históricos num conjunto coerente: o número 33 a 37 e o número 41 a 47.
Área de construção e área de implantação são duas medidas distintas que muitas vezes confundem os compradores. A área de implantação corresponde à zona que o edifício ocupa no solo (neste caso 292,90 m²), enquanto a área de construção é o total de pavimento somado em todos os pisos (1.134,79 m²). A diferença mostra que o edifício se desenvolve em altura, num lote relativamente compacto.
Quantos apartamentos tem o By Liberdade?
Os dois edifícios albergam, no total, oito apartamentos, distribuídos por tipologias diferentes.
O número 33 a 37 inclui dois apartamentos T1 no primeiro piso e dois apartamentos T0 no terceiro piso. No mercado imobiliário português, T0 corresponde a um estúdio com sala e zona de dormir num único espaço, enquanto T1 designa um apartamento com um quarto separado, em complemento à sala.
O número 41 a 47 acolhe quatro apartamentos T3 nos pisos superiores. T3 significa apartamento com três quartos, neste caso com uma fração por piso, o que faz com que cada habitação ocupe um andar inteiro e disponha de entrada independente.
Em que consistiu a reabilitação?
Uma reabilitação profunda vai bem além de uma intervenção estética. É uma modernização funcional e estrutural completa, que coloca um imóvel mais antigo ao nível dos padrões construtivos atuais sem perder o seu carácter original. Segundo a Contacto Atlântico, a intervenção “respeitou integralmente a volumetria existente, prevendo a modernização funcional e estrutural dos edifícios para uso residencial e comercial, com a criação de clarabóias, modernização das infraestruturas, instalação de elevadores e substituição de elementos construtivos em mau estado”.
A volumetria refere-se à forma e ao volume globais do edifício, incluindo a altura, a profundidade e a linha da cobertura. Respeitar a volumetria existente significa que o novo desenho não subiu o telhado nem avançou sobre as fachadas, o que mantém os edifícios reabilitados em diálogo com o resto da rua histórica.
Que elementos patrimoniais foram preservados pela Contacto Atlântico?
Vários elementos originais foram preservados e recuperados em vez de substituídos. O ateliê “procurou preservar os principais elementos arquitetónicos, com destaque para o revestimento em azulejo azul claro da Viúva Lamego no edifício 33 a 37, a reformulação dos vãos e das varandas”.
A Viúva Lamego é uma histórica fábrica de cerâmica lisboeta, fundada em 1849, reconhecida pelos azulejos pintados à mão. Preservar este revestimento azul claro é importante porque a fachada é um testemunho visível do património azulejar da cidade, e a sua substituição por materiais novos teria apagado um dos sinais de identidade mais fortes do edifício.
Além dos azulejos, as fachadas em pedra, as paredes em alvenaria de pedra e as duas caixas de escadas foram igualmente mantidas. As caixas de escadas são os espaços verticais que contêm as escadarias e ligam todos os pisos do edifício. Conservar as caixas originais preserva a lógica espacial da planta histórica e evita intervenções estruturais agressivas.
Nas fachadas, os vãos do piso térreo foram repostos de acordo com o desenho histórico, as portas de extremidade foram restauradas e as caixilharias e vidros foram atualizados, em linha com os critérios atuais de segurança e durabilidade.
Como está organizado o piso térreo?
O piso térreo foi redesenhado como um único espaço comercial contínuo, que abrange ambos os edifícios. As frentes foram unificadas para melhorar a ligação ao passeio e clarificar os pontos de acesso para os peões, dando-se prioridade interior às áreas em planta aberta.
Esta frente de loja contínua faz duas coisas em simultâneo. Oferece aos comerciantes um espaço útil e flexível, em vez de duas lojas estreitas separadas por uma parede, e reforça a relação entre o edifício e a rua, que é o que torna uma fachada viva em vez de cega.
O que mudou no interior dos apartamentos?
Os pisos superiores mantêm a lógica original de um apartamento por piso, com entradas independentes. No interior das habitações, “a intervenção limitou-se às divisórias não estruturais, com o objetivo de otimizar a circulação e o uso. As escadarias e os átrios de entrada foram preservados pelo seu valor arquitetónico”.
As divisórias não estruturais são as paredes interiores que não suportam o peso do edifício acima delas. Trabalhar apenas sobre estas paredes permitiu à Contacto Atlântico reorganizar compartimentos e melhorar a circulação sem tocar nos elementos portantes, o que preserva a estrutura patrimonial e encurta o prazo de obra.
Para tornar o edifício plenamente acessível, foi acrescentado um elevador. A cobertura ajardinada e os materiais escolhidos, refere o ateliê, “valorizam a qualidade e o conforto dos espaços, respeitando a identidade do tecido urbano da cidade”.
O que diz André Caiado sobre o By Liberdade?
André Caiado, fundador da Contacto Atlântico, enquadra o By Liberdade como um contributo para a recuperação mais ampla do centro de Lisboa. “Este é mais um projeto que a Contacto Atlântico se orgulha de assinar, contribuindo para a recuperação da cidade ao devolver-lhe beleza e identidade histórica. O By Liberdade é mais um exemplo de como a reabilitação urbana pode beneficiar enormemente a nossa capital”, afirma.
A sua leitura traduz a posição constante do ateliê: os edifícios existentes não são obstáculos à promoção imobiliária, são a matéria-prima dessa promoção.
Porque é o By Liberdade representativo do portefólio da Contacto Atlântico
O By Liberdade reúne os fios condutores que percorrem a maioria dos projetos da Contacto Atlântico em Lisboa: reabilitação profunda em vez de demolição, preservação cuidadosa de elementos patrimoniais como os azulejos da Viúva Lamego, a cantaria e as caixas de escadas originais, e um esforço claro de modernização das infraestruturas onde importa, com elevadores, clarabóias e novas caixilharias. Para quem acompanha o trabalho do ateliê, ou para quem procura habitação ou comércio no centro de Lisboa, o By Liberdade é um bom exemplo de como os edifícios históricos junto à Avenida da Liberdade podem ser adaptados ao uso residencial e comercial contemporâneo sem perderem a sua identidade.
