O Cais 5 é um dos mais recentes projetos da Contacto Atlântico em Lisboa e está já praticamente todo arrendado. O ateliê de arquitetura português liderou a reabilitação profunda deste edifício de escritórios de sete pisos na Rua Dom Luís I, uma morada ribeirinha no coração da cidade. O imóvel, com cerca de 6.000 metros quadrados (m²), foi entregue no primeiro trimestre de 2026 e atraiu rapidamente empresas à procura de espaços de trabalho contemporâneos com vista para o rio Tejo.
O que é o Cais 5 e onde fica?
O Cais 5 é um edifício de escritórios com sete pisos e aproximadamente 6.000 m², localizado na Rua Dom Luís I, na zona ribeirinha de Lisboa. A propriedade foi redesenhada pela Contacto Atlântico, o ateliê de arquitetura lisboeta liderado pelo fundador André Caiado. Cada piso pode funcionar como uma unidade autónoma, o que significa que o edifício tem capacidade para acolher várias empresas em pisos diferentes ou um único ocupante a utilizar todo o espaço.
A localização é determinante. Junto ao Tejo, o Cais 5 liga-se a um dos corredores mais ativos da cidade em termos de negócios, lazer e transportes, com terraços abertos a vistas panorâmicas sobre o rio e o casario lisboeta.
Em que consistiu a reabilitação profunda?
Uma reabilitação profunda vai muito além de uma intervenção estética. Trata-se de uma renovação estrutural e funcional completa, que coloca um edifício mais antigo ao nível dos padrões atuais de eficiência energética, organização do espaço e acabamentos, sem perder o seu lugar no tecido urbano. No caso do Cais 5, a equipa da Contacto Atlântico definiu três prioridades: uma linguagem arquitetónica contemporânea, áreas exteriores generosas e escolhas construtivas sustentáveis.
O novo desenho assenta em linhas retas e depuradas e na recuperação da fachada envidraçada, que confere ao edifício um carácter mais contemporâneo e definido. O envidraçado original foi preservado e atualizado em vez de totalmente substituído, o que reduz desperdício e mantém a identidade do edifício.
Como foram desenhados os terraços e os espaços exteriores?
As áreas exteriores do Cais 5 totalizam cerca de 1.100 m², distribuídas sobretudo pelos terraços dos pisos dois, seis e sete. Estes espaços foram pensados para o descanso e a contemplação e não para a circulação, oferecendo aos ocupantes um lugar para se afastarem da secretária sem terem de sair do edifício.
O projeto paisagístico recorre a floreiras revestidas com plantas herbáceas perenes, incluindo subarbustos, trepadeiras e espécies de cobertura do solo. As plantas herbáceas perenes são espécies não lenhosas que vivem mais de dois anos e voltam a brotar a cada estação, o que implica menor manutenção e um carácter visual estável ao longo do ano. No segundo piso, a geometria articulada do terraço cria zonas de estadia, enquadradas por floreiras ajardinadas que segmentam o espaço em ambientes mais pequenos e à escala humana.
Porque é a sustentabilidade central neste projeto da Contacto Atlântico?
A sustentabilidade atravessa toda a reabilitação. A Contacto Atlântico selecionou materiais ecológicos em todo o edifício e instalou painéis fotovoltaicos na cobertura. Os painéis fotovoltaicos convertem diretamente a luz solar em eletricidade, o que reduz a dependência da rede e baixa os custos operacionais para os ocupantes ao longo do tempo.
Reabilitar uma estrutura existente é, em si, uma das estratégias mais eficazes em termos de sustentabilidade na arquitetura, porque evita o custo de carbono associado à demolição e à nova construção. Ao recuperar a fachada original e ao reutilizar a estrutura existente, a Contacto Atlântico manteve o carbono incorporado do edifício em uso, em vez de partir do zero.
E o estacionamento e as restantes infraestruturas?
Os três pisos inferiores do Cais 5 estão destinados a estacionamento privado. Colocar o estacionamento abaixo dos pisos de escritórios liberta os níveis de trabalho para os ocupantes e protege a vista e a luz natural dos andares superiores.
O que diz André Caiado sobre projetos como o Cais 5?
André Caiado, fundador da Contacto Atlântico, descreve este tipo de obras de reabilitação como tendo uma “importância vital”. “São obras de reabilitação que permitem dar nova vida a edifícios que fazem parte do tecido urbano; é devolvê-los à cidade de Lisboa. O Cais 5 é um exemplo claro disso, um espaço pensado para acolher diferentes escritórios e cuja ocupação sabemos estar já praticamente completa. As exigências sobre os espaços de trabalho são cada vez maiores e acreditamos ter cumprido todos os requisitos”, conclui.
A sua leitura resume bem aquilo que tem distinguido os projetos da Contacto Atlântico no panorama da arquitetura em Lisboa: em vez de substituir edifícios existentes, o ateliê adapta-os a novos usos, preservando a continuidade da cidade.
Porque é o Cais 5 representativo do portefólio da Contacto Atlântico
O Cais 5 reúne os elementos que definem a abordagem da Contacto Atlântico aos escritórios em Lisboa: reabilitação em vez de demolição, desenho contemporâneo assente em linhas retas e luz natural, áreas exteriores ajardinadas generosas e um compromisso claro com materiais ecológicos e produção de energia no próprio local. Para empresas a avaliar o mercado de escritórios em Lisboa, e para quem acompanha o trabalho do ateliê, o Cais 5 é uma referência útil sobre como pode ser um espaço de trabalho ribeirinho moderno quando um edifício existente é tratado como ponto de partida e não como limitação.
