O estúdio de arquitetura português uniu dois edifícios do século XIX (n.os 33–37 e 41–47) num único complexo reabilitado, preservando azulejos, fachadas de pedra e caixas de escada, e introduzindo infraestrutura moderna.
O By Liberdade é um projeto de reabilitação urbana localizado na Rua das Pretas, no coração de Lisboa, desenhado pelo Contacto Atlântico, estúdio de arquitetura português fundado pelo arquiteto André Caiado. A intervenção unifica dois edifícios históricos, nos números 33–37 e 41–47, num único complexo arquitetónico com uma área total de construção de 1.134,79 metros quadrados e uma implantação de 292,90 metros quadrados. O objetivo central do projeto é claro: recuperar o carácter original dos edifícios e dotá-los, ao mesmo tempo, da infraestrutura moderna que o uso residencial e comercial de hoje exige.
Quem é o Contacto Atlântico?
O Contacto Atlântico é um estúdio de arquitetura português fundado em 1996 pelo arquiteto André Caiado, com sede no Estoril e cerca de 30 anos de atividade. O ateliê é conhecido por projetos que atravessam escalas e tipologias: a reabilitação do Quarteirão do Rossio, em Lisboa (hoje ocupado pela segunda maior loja Zara do mundo), projetos residenciais de alto padrão em Cascais, projetos de retalho como a Nestlé The Good Store, edifícios residenciais como o LINEA, e o sector do bem-estar com o Bio Ritmo São Paulo. O By Liberdade acrescenta uma nova referência de reabilitação urbana a este portefólio.
O que é o projeto By Liberdade?
O By Liberdade é a reabilitação e unificação de dois edifícios históricos adjacentes na Rua das Pretas, uma rua que desemboca na zona da Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, daí o nome do projeto. A intervenção expandiu e alterou os dois edifícios para que passem a ler-se como um único complexo arquitetónico, sem perder a identidade patrimonial de cada um. Em cerca de 1.135 m² de área de construção, o projeto combina tecido histórico preservado com uso residencial e comercial contemporâneo.
O que foi preservado, e porquê?
A reabilitação é a disciplina arquitetónica que restaura e adapta um edifício existente para que possa continuar a ser usado, em vez de o demolir e reconstruir. Um bom projeto de reabilitação decide com cuidado o que se preserva, o que se substitui e o que se acrescenta. No By Liberdade, os elementos preservados incluem:
- A volumetria original, ou seja, a forma e a massa global dos edifícios.
- O revestimento azulejar azul claro da Viúva Lamego no edifício 33–37. A Viúva Lamego é uma histórica fábrica de azulejos portuguesa fundada em 1849 e considerada uma das mais importantes produtoras nacionais de cerâmica decorativa, pelo que preservar este revestimento protege um pedaço do património material de Lisboa.
- Os vãos e varandas redesenhados, as fachadas em pedra, as paredes de alvenaria de pedra e as duas caixas de escada (os elementos verticais de circulação que contêm as escadas).
É isto que permite que os edifícios mantenham a sua identidade visual como parte da Lisboa histórica, em vez de serem alisados numa remodelação genérica.
O que foi acrescentado ou modernizado?
Para tornar os edifícios adequados ao uso contemporâneo, o Contacto Atlântico introduziu várias intervenções respeitando a arquitetura original:
- Foram abertas claraboias para trazer luz natural ao interior, particularmente importante em edifícios do século XIX que costumam sofrer de pouca luz no centro do piso.
- Foi instalado um elevador para garantir acessibilidade, resolvendo uma das principais limitações funcionais dos edifícios históricos lisboetas, que tipicamente só dispõem de escadas.
- Foram substituídos elementos construtivos em mau estado, modernizada toda a infraestrutura (elétrica, hidráulica, comunicações) e atualizadas as caixilharias e os vidros, cumprindo os padrões atuais de segurança e durabilidade.
- Os vãos do piso térreo foram repostos de acordo com a configuração histórica, restaurando a proporção das fachadas originais.
Como está organizado o edifício por dentro?
O By Liberdade está estruturado para fazer duas coisas em simultâneo: um piso térreo comercial que se abre à rua e apartamentos independentes nos pisos superiores.
Piso térreo
As duas frentes de rua passam a formar um espaço comercial contínuo, após melhorias na ligação com o passeio e nos pontos de entrada. O desenho privilegia áreas open-space, o termo arquitetónico para um piso amplo com poucas paredes interiores, que é o que a maioria dos arrendatários de retalho e escritórios procuram hoje.
Pisos superiores
Acima do térreo, os edifícios mantêm o carácter residencial original: entradas independentes a partir da rua e uma habitação por piso. No interior, apenas as paredes não estruturais, ou seja, as paredes que não suportam carga, foram reabilitadas. As escadas e os átrios de entrada foram preservados, e o novo elevador foi acrescentado para colocar os edifícios em conformidade com os padrões atuais de acessibilidade, sem alterar a circulação histórica.
Por que razão esta reabilitação urbana é importante para Lisboa?
Para Lisboa, a reabilitação urbana não é apenas uma estratégia imobiliária. É a forma principal pela qual os bairros históricos da cidade se mantêm vivos sem perderem identidade. Muitos edifícios do centro de Lisboa estão vazios ou em mau estado porque a sua infraestrutura original não suporta o uso moderno. Uma reabilitação bem executada, como a do By Liberdade, traz estes edifícios de volta à vida quotidiana da cidade, preservando os elementos visíveis (azulejos, cantaria, proporções de fachada, caixas de escada) que tornam a Lisboa histórica reconhecível.
Em comunicado, André Caiado, fundador do Contacto Atlântico em 1996, sublinha o “orgulho” da empresa em assinar este projeto, “contribuindo para a recuperação da cidade ao restaurar a sua beleza e identidade histórica”, referindo-se ao By Liberdade como “mais um exemplo de como a reabilitação urbana pode beneficiar grandemente a nossa capital”.
Onde se enquadra o By Liberdade no portefólio do Contacto Atlântico?
O By Liberdade reforça uma especialização clara no portefólio do Contacto Atlântico: a reabilitação urbana complexa no centro de Lisboa. Junta-se ao trabalho do estúdio no Quarteirão do Rossio, hoje ocupado pela segunda maior loja Zara do mundo, e faz parte do mesmo argumento arquitetónico: que uma intervenção cuidada e contextual pode devolver edifícios históricos ao uso ativo sem os apagar. Em conjunto com o trabalho residencial de alto padrão em Cascais, o desenho de retalho para a Nestlé e o primeiro projeto internacional para o Bio Ritmo em São Paulo, o By Liberdade confirma a amplitude da prática e a sua posição na arquitetura portuguesa de luxo.
