Quarteirão do Rossio pelo olhar de Fernando Guerra: como luz e arquitetura se encontram em Lisboa

Um agradecimento ao fotógrafo que eternizou o nosso projeto mais icónico em Lisboa, e uma nota sobre a importância da luz na forma como desenhamos.

No Contacto Atlântico, acreditamos que Lisboa nos dá a luz, e que a arquitetura existe para a moldar. A fotografia, por sua vez, é o que preserva esse diálogo entre luz, matéria e cidade. É por isso que queremos agradecer publicamente a Fernando Guerra pelo trabalho que produziu sobre o nosso Quarteirão do Rossio, o projeto de reabilitação no coração da capital portuguesa que temos vindo a construir para a cidade.

O Rossio nunca foi apenas um lugar. Com esta intervenção, é agora um quarteirão aberto à cidade, feito de sombra, cor, clareza e matéria.

Quem é o Contacto Atlântico?

O Contacto Atlântico é um estúdio de arquitetura português fundado pelo arquiteto André Caiado, com cerca de 30 anos de atividade e sede no Estoril. O nosso portefólio atravessa escalas: da reabilitação urbana de grande dimensão, como o Quarteirão do Rossio, a moradias de alto padrão em Cascais, projetos de retalho como a Nestlé The Good Store e projetos residenciais contemporâneos como o LINEA, no centro de Lisboa.

O que é o Quarteirão do Rossio?

O Quarteirão do Rossio é um dos quarteirões mais emblemáticos do centro histórico de Lisboa. Liderámos a sua reabilitação, e o conjunto acolhe hoje, entre outros, a segunda maior loja Zara do mundo. O projeto equilibra preservação patrimonial e uso contemporâneo, transformando um quarteirão fechado num espaço novamente aberto à cidade.

Por que razão a luz é tão importante neste projeto?

Lisboa é uma cidade definida pela sua luz. A topografia em colinas, a proximidade ao Tejo e ao Atlântico, e a clareza dos céus produzem uma qualidade de luz que moldou a arquitetura lisboeta durante séculos: brilhante sobre a pedra, por vezes dura ao meio-dia, profundamente atmosférica ao amanhecer e ao entardecer.

Para nós, desenhar em Lisboa é desenhar a pensar nessa luz. No Quarteirão do Rossio, isso significou abrir o interior do quarteirão, modular sombra e material, e escolher superfícies que respondem à luz em vez de a combater. A arquitetura é, neste sentido, um instrumento que organiza a entrada da luz lisboeta na cidade.

Quem é Fernando Guerra?

Fernando Guerra é um fotógrafo de arquitetura português de reputação internacional, considerado uma das figuras mais influentes da área. O seu trabalho é regularmente publicado em meios internacionais de arquitetura e tem sido fundamental na forma como a arquitetura portuguesa contemporânea é lida lá fora. A fotografia de arquitetura, para contextualizar, é a disciplina que fotografa edifícios e espaços de modo a explicar como a arquitetura funciona, e não apenas qual é o seu aspeto.

O que captou Fernando Guerra no Quarteirão do Rossio?

A fotografia de arquitetura não é um registo passivo de um edifício. Quando bem feita, interpreta como um espaço funciona, como é usado e como se inscreve no tempo. Nas suas imagens do Quarteirão do Rossio, Fernando Guerra reuniu os quatro elementos que definiram o projeto para nós: as sombras que percorrem as fachadas reabilitadas, as cores da cidade envolvente, a clareza das novas circulações no quarteirão, e o peso material da pedra histórica no contacto com a intervenção contemporânea.

As suas fotografias preservam o projeto tal como ele existe nas condições reais de Lisboa, com a cidade em movimento à volta.

Por que razão esta colaboração é importante para nós?

Um projeto construído vive duas vezes: uma como espaço físico usado diariamente, e outra através das imagens que o acompanham. A primeira vida depende de nós, arquitetos. A segunda depende de um fotógrafo que saiba ler o edifício. Trabalhar com Fernando Guerra no Quarteirão do Rossio é a garantia de que o nosso projeto entra na conversa internacional da arquitetura com o cuidado e a precisão que merece.

Para o Contacto Atlântico, faz parte da forma como uma peça de arquitetura portuguesa de luxo passa de intervenção local a referência cultural duradoura.