A importância da reabilitação na malha urbana e os impactos positivos para o planeta 

Estima-se que fazer de novo / construir de raiz compromete os recursos materiais e energéticos cerca de 40% a mais do que reabilitar a malha urbana.

A cidade é o bem mais valioso da humanidade, quer da perspetiva cultural, quer económica. Os Homens preferem-na para viver. A cidade quer-se densa, e com todos os seus serviços acessíveis, idealmente num raio de 15 minutos a pé de cada um de nós.

Tem as infraestruturas mais caras: o aeroporto, o hospital, o teatro de ópera, etc. Na generalidade, os Homens preferem viver na cidade.

Assim, a urbe existente deve ser acarinhada e reabilitada em cada momento para poder proporcionar os melhores locais para viver, trabalhar e desfrutar da vida.

A cidade tem enormes custos de produção/construção, quer materiais, quer energéticos, pelo que deve ser recuperada, mantida e reabilitada em cada momento. Esta estratégia tem enormes impactos positivos para os recursos naturais e energéticos do nosso querido planeta.

Estima-se que fazer de novo / construir de raiz compromete os recursos materiais e energéticos cerca de 40% a mais do que reabilitar a malha urbana.

Em média, 35% da energia consumida no planeta é usada em edifícios, pelo que temos muito por onde poupar energia se nos concentrarmos em intervir no atual património edificado nas cidades.

Hoje, intervimos em edifícios e reduzimos os seus consumos energéticos até zero no cômputo anual de produção de consumo de energia.

Em construções novas, cada vez mais tendemos a criar edifícios em equilíbrio energético. Isto implica um custo adicional de 4% a 7% no momento da construção. No entanto, durante o período de vida do edifício, esse custo é muitas vezes recuperado do ponto de vista económico. Da perspetiva da poupança dos recursos do planeta, o valor é imensurável, uma vez que deixamos de consumir recursos que não podemos repor na natureza.

No que se refere a edifícios reabilitados, os benefícios são ainda superiores. Ora vejamos: normalmente, os elementos mais pesados ficam no edifício na sua generalidade e, dependendo da época da primeira construção, a pedra ou alvenaria das fachadas e o betão das lajes e pilares tendem a perdurar. Logo aqui, todo o processo de extração de pedra, corte e movimento da mesma até ao edifício deixa de acontecer.

Ao reabilitarmos, vamos aproveitar a inserção do edifício na malha da cidade, eventualmente adicionando melhorias, por exemplo, criando garagens, um pátio ou um bar no “rooftop”.

Criando, assim, novas unidades habitacionais ou de escritórios que permitem a quem vive nelas desfrutar da cidade com todos os serviços num raio de 15 minutos.

E quem não prefere viver no centro de uma cidade reabilitada? Sabendo que, além de tudo, está a respeitar e acarinhar o nosso maravilhoso planeta.

Observador Online – 19 Fevereiro 2025